Inteligência Corporativa - A modernidade exposta numa série de TV
A evolução humana tem seu próprio ritmo, mas alguns cientistas foram bem assertivos em suas previsões, a tabela kardashev, foi proposta em 1964 pelo astrofísico soviético Nikolai Kardashev, essa escala classifica as civilizações com base na quantidade de energia que conseguem coletar, controlar e utilizar para fins tecnológicos.
O mundo está mais rápido do que a mente humana consegue se adaptar. Apesar de a mente humana parecer estagnar em termos de ritmo evolutivo, a tecnologia está avançando conforme a escala de evolução da humanidade previa.
Lei de Moore e do conceito mais amplo de Evolução Exponencial da Tecnologia (formalizado também pela Lei dos Retornos Acelerados de Ray Kurzweil).
A Lei de Moore: Formulada em 1965 por Gordon Moore (cofundador da Intel), esta observação empírica constatou que a capacidade de processamento dos computadores — medida pelo número de transistores que podem ser colocados em um circuito integrado — duplica aproximadamente a cada dois anos (frequentemente citado como 18 a 24 meses), enquanto o custo unitário diminui proporcionalmente.
Aceleração dos Ciclos (Retornos Acelerados): O que você descreve sobre os intervalos de tempo diminuindo (mudanças que antes levavam décadas e que hoje se comprimem em anos ou meses) é o motor da Singularidade Tecnológica. À medida que uma tecnologia evolui, ela mesma se torna a ferramenta para projetar a próxima geração tecnológica, fazendo com que a curva de progresso dispare de forma exponencial em vez de linear.
É exatamente esse ritmo frenético e acumulativo que torna a gestão corporativa e os conflitos modernos tão complexos, pois a sociedade e o pensamento humano evoluem em ritmo linear, enquanto a tecnologia e o poder de processamento avançam em progressão geométrica.
As pessoas só têm acesso a uma porção pequena das informações no seu dia a dia; por isso, as mudanças evolutivas na tecnologia são pouco percebidas, mesmo que tenham um significado relevante para a vida social. O indivíduo, muitas vezes, não percebe essa transição de livre e espontânea vontade, mas acaba se enquadrando e se encaixando no "novo normal" que a tecnologia o obriga a seguir.
Ao assistir ao primeiro episódio da quarta temporada da série Special Ops: Lioness (criada por Taylor Sheridan, produzida pela atriz Zoe Saldaña e pela produtora de Nicole Kidman, a Blossom Films), consegui ver de forma brutal a face da nova guerra nas palavras do próprio personagem da série. No episódio, um soldado americano que trabalha para a CIA em um teatro de operações — especificamente no contexto do conflito entre Rússia e Ucrânia, nos territórios ocupados a leste — descreve o cenário como um misto de Primeira Guerra Mundial com ficção científica, onde trincheiras tradicionais convivem com enxames de drones autônomos e inteligência artificial avançada.
A ficção nunca foi tão real. A direção da série entrega uma imagem avassaladora, porém realista e impressionante, do que serão os próximos conflitos armados travados em escala global. As tradicionais batalhas de trincheira ou os combates aéreos (dogfights) envolvendo caças de última geração multibilionários estão dando lugar a um jogo assimétrico e sem regras, cujas peças principais no tabuleiro são soldados conectados, munições loitering (drones kamicazes), sistemas de reconhecimento por imagem de alta resolução em tempo real e algoritmos de inteligência artificial bélica (como os sistemas baseados na plataforma Project Maven do Departamento de Defesa dos Estados Unidos).
O que teoricamente representaria uma diminuição de baixas, tanto de militares quanto de inocentes, na verdade esbarra nas limitações cognitivas humanas. O cenário torna-se muito mais aterrador quando o número de mortes aumenta proporcionalmente à quantidade de equipamento bélico, balístico e tecnológico disponível, sem que isso represente necessariamente uma melhoria absoluta na assertividade da escolha dos alvos e na conclusão cirúrgica das missões. Podemos ver pelas notícias cotidianas que, em conflitos modernos como os da Ucrânia e do Oriente Médio (envolvendo o uso intensivo de sistemas de guerra eletrônica e direcionamento por IA), as baixas civis continuam expressivas. Isso acontece porque uma tecnologia superior não se traduz automaticamente em julgamento ético superior, visto que os equipamentos tecnológicos de tomada de decisão continuam sendo supervisionados, programados e geridos por seres humanos suscetíveis a falhas e vieses cognitivos.
Os equipamentos tecnológicos estão gradativamente evoluindo em ritmo exponencial, por vezes em detrimento da capacidade de adaptação crítica do pensamento humano. Mas o que uma série de TV que retrata imagens de uma guerra distante tem a ver com a gestão tecnológica de uma empresa?
Hoje, a evolução tecnológica da gestão industrial e empresarial chegou a um patamar em que a inteligência analítica pode oferecer soluções para a maioria dos problemas corporativos por meio de sistemas de planejamento de recursos (ERP), algoritmos preditivos e controle automatizado por inteligência artificial. Contudo, ainda temos a figura humana por trás de todo o gerenciamento, implantação e manutenção dessas ferramentas. Essa interface humana muitas vezes inviabiliza ou engessa toda a tecnologia embarcada em um setor ou em aplicativos criados para automatizar a interação entre o cliente e a empresa.
Não é raro vermos reclamações de clientes e stakeholders que simplesmente não conseguem ter seus problemas resolvidos dentro de uma plataforma digital, seja ela interna ou externa, na gestão de uma determinada organização. Isso ocorre simplesmente porque quem projetou essa plataforma esqueceu de incluir mecanismos flexíveis para conter as demandas de seres humanos que são, em sua essência, singulares e complexos. É claro que existe um senso comum que orienta os projetos, mas cada pessoa possui suas próprias idiossincrasias. Tornar a usabilidade de uma plataforma corporativa eficiente exige a arte da observação profunda do comportamento humano (UX Research e psicologia do consumidor).
O mesmo vale para os processos industriais e logísticos automatizados (a chamada Indústria 4.0 e os conceitos de manufatura avançada), onde mesmo em linhas de produção altamente repetitivas é preciso analisar que existem fatores caóticos que podem alterar um plano produtivo dentro de um ambiente controlado. Por mais que se utilize a Teoria das Restrições ou simulações de gémeos digitais (digital twins), existem variáveis imprevisíveis que extrapolam todos os prognósticos e expectativas estatísticas.
Afinal de contas, a máxima militar que se aplica à guerra — e que serve perfeitamente para a indústria e para o ambiente corporativo — sintetiza-se na frase clássica de Helmuth von Moltke: "Nenhum plano sobrevive ao primeiro contato com o inimigo" (ou, adaptando ao contexto empresarial, nenhum planejamento resiste intacto após ser colocado em prática). Por mais que planeje metodicamente um processo produtivo, comercial ou gerencial, é preciso entender que as circunstâncias mudam rapidamente e que precisamos criar arquiteturas de resiliência e planos de contingência ágeis para que essas mudanças de cenário não paralisem a nossa capacidade operacional.
Entender essas mudanças e a modernidade tecnológica faz com que o gestor corporativo deixe de ser um operador comum para se tornar um profissional altamente diferenciado dentro da sua área de atuação.
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Esse é o diferencial competitivo que qualquer profissional precisa carregar consigo na era da inteligência artificial generativa, que tende a nivelar as habilidades técnicas básicas e transformar parte da mão de obra em uma massa sem identidade, destituída da capacidade crítica de solucionar problemas complexos que ocorrem fora do escopo rígido dos projetos. Quem negligenciar o desenvolvimento dessa visão estratégica e adaptativa deve preparar-se para encarar uma guerra de mercado sem regras, sem redes de contenção e sem manuais de fábrica prontas.
Valdemir José da Costa
Pós graduado em gestão ambiental e Automação Industrial
Account Development Manager & Regional Manager in Brazil.
CREA CFT 2605684737
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